terça-feira, 22 de maio de 2012

Wanda!!!

aproveite o dia. bote uma roupa de ficar em casa e, despretensiosamente, ao ouvir uma música alheia, dance. invente uma receita, faça biscoitos, leia um livro à tarde, convoque uma reunião extraordinária de condomínio, mesmo sem ser síndico. sugira coisas boas para todos. escreva um poema num caderno velho, conte histórias ao seus amigos, filhos ou netos. veja um filme ou, simplesmente, tome um caldo verde. se você não puder fazer nada disso, apenas faça um gesto de bondade para o mundo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

único ator.

prédio espelhado
me dá um novo
ponto de vista
do céu anuventado

estou sentado tomando café
na calçada numa mesinha
com vista para faria lima

todo tipo de gente passa por aqui
parece que minha vida
está cheia de figurantes

Perecível

verdades refeitas
realinham todo conceito,
tranformando o convencional
numa espécie de versão 2.0.

recrio objetivos,
guardo pessoas no baú,
talvez um dia reencontre com uma delas
seja no acaso ou em lembrança.

o tempo me mostra
que tudo escapa
e a realidade se desmancha
em novas formas

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Exílio

alguns artistas passaram por isso. geralmente em paris, londres, nova iorque, berlin, são paulo. são paulo?
pois é, foi o que deu para o momento. afinal, não sou um chico e nem um caetano.

sou vendedor, poeta e quase casado. vendedor e poeta uma contradiçao interesante e confusa.

atualmente vivo exilado em moema, cercado de ruas indígenas. minha tribo fica na alameda dos tupiniquins, sou vizinho dos aratãs e dos ailcás.

aqui as tribos são contemporâneas. vivemos em prédios de trinta andares, nos acostumamos com aviões cortando o céu a cada quinze minutos. o carro é um anexo do corpo. sem ele somos cadeirantes.

amo essa cidade mas meu coração é carioca.

terça-feira, 13 de março de 2012

Cenário.

do carro
era possível
se impressionar
com a nuvem amarela
das cinco e meia
por pouco não bati.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A Olhos de uma Criança

há vinte cinco anos atrás
neves trabalhava lá em casa
ela servia o almoço e dizia:
"quem come cantando morre gritando"
nunca mais comi cantando.

durante as refeiçoes meu pai dizia:
" não beba nada enquanto você come porque você vai inchar"
na época, eu que já era gordinho, não me atrevi a beber e me imaginei inflando feito desenho animado.

odiava mate, mas um dia ele me disse que era o chá do pateta. Tomei o mate, continuei não gostando do sabor, mas senti algo especial.

nessa fase da vida,
a imaginação voava sem senso
ingenuidade a parte
assim vivia,
flutuando em histórias
mesclando o real com o lúdico.

sábado, 10 de março de 2012

...

uma mão segura o telefone
a outra pinta unhas
cheiro de esmalte
invade minha leitura.

revista de casamento sobre a cama
travessa de gelatina devorada
entrega a ansiedade de uma noiva em chamas.